Ana Paula

Por: Ana Paula Soares

Mudança é uma coisa complicada! Acho que acabamos acostumados e, porque não dizer, acomodados com a maneira de funcionar das coisas e da vida.
Percebo também que a perspectiva de mudança, especialmente do ponto de vista profissional, se complexifica com o passar dos anos, pois com o aumento das responsabilidades financeiras vem também o medo de arriscar e de errar. Num contexto assim, a insegurança acaba desencorajando e enfraquecendo o desejo de muitas pessoas, por mais empreendedoras que elas sejam.
Durante os 14 anos que passei na mesma empresa vi pessoas chegando, saindo e outras até voltando depois de um tempo. Uma dinâmica que às vezes me chamava atenção, mas que logo em seguida acabava passando despercebida em meio a inúmeras atividades que me mantinham completamente ocupada.
Não posso negar que havia uma dose de prazer naquilo tudo. Era bom ter o nome de uma grande empresa no meu crachá e no meu e-mail. Tão bom quanto, era a sensação de segurança trazida pelo depósito em conta de um salário fixo mensal. Mas não era tudo. Havia algo que realmente me agradava naquele lugar, o convívio com pessoas importantes. Amigos pra toda vida, arrisco dizer. A combinação de todas essas coisas acabava fazendo as insatisfações parecerem menores e a ideia de mudar bem pouco atraente. Ainda assim, a sensação de que algo estava faltando persistia! Havia em mim uma inquietude insistente vinda de uma vontade de abrir espaços mais amplos para desejos autenticamente meus.
Na medida em que comecei a buscar me conhecer melhor e pensar em possibilidades mais coerentes com meu projeto de vida me dei conta de que a projeção significativa que eu havia experimentado havia me levado a um topo, porém, sem saída.
Mas algo tão sério não poderia ser fruto apenas de um impulso ou uma resposta à ansiedade, ao medo ou a quaisquer outros sentimentos que, se não estivermos atentos, nos atravessam e nos tiram do eixo todos os dias. Foi preciso preparo psicológico e financeiro para tomar aquela decisão. Mas creio que o combustível da mudança veio da insatisfação que eu sentia naquele momento. Uma desmotivação que, ironicamente, fez avivar meus desejos e habilidades interiores. Da mesma forma, a maturidade me ajudou na tomada de decisão e na criação de metas a serem seguidas dali em diante.
Decidi me arriscar, mesmo não tendo mais vinte e poucos anos e mudei de ramo profissional e de vida! Pedi demissão. Agora eu sabia o que queria!
Houve outras experiências importantes e que me ajudaram imensamente naquele período, entre elas as extensas conversas que tive com colegas que haviam passado por situações semelhantes e que me falaram sobre suas experiências e opiniões e também a realização de um trabalho psicológico com foco em Orientação Profissional. Vivências cruciais que me levaram a refletir e a entender as questões envolvidas nesse processo.
A decisão havia sido tomada e minha primeira ação foi me dar férias por três meses! Foi quando usufrui de uma sensação que já não experimentava há anos, a tranquilidade da pausa!
Após esse período, confesso que senti aquele friozinho no estômago em muitos momentos. Creio que se tratava da insegurança de seguir um novo caminho. Alguns momentos foram difíceis, mas a certeza de ter feito o melhor para mim me deixava mais forte!
Finalmente escolhi uma nova área de atuação, 100% diferente da minha formação e ocupação anterior. Iniciei uma nova rotina de trabalho e ingressei em diferentes cursos de qualificação, presenciais e “on line”. Ações que me instrumentalizaram para essa nova atividade e que me deram mais energia para correr atrás dos meus atuais objetivos, alcançá-los e encontrar a satisfação que eu buscava.
Após dois anos, concluí o quanto foi bom ter tido essa iniciativa. Os desafios são diários e para dar conta deles procuro reavaliar meus planos com frequência, bem como manter equilíbrio e alimentar minha autoconfiança e automotivação. O que nem sempre é fácil.
Mas eu acredito que sempre é tempo de aprender, de buscar o bem estar e a felicidade. Talvez o primeiro passo seja aceitar que é natural que nossas metas se modifiquem no decorrer da vida.
Boas reflexões!

Ana Paula Soares

 

2018-02-13T18:18:33+00:00